Modos da escala maior: Parte1

Assuntos relacionados com formação e aulas de guitarra.

Moderadores: Mónica Ferreira, Moderador

Modos da escala maior: Parte1

Mensagempor Pedro Duarte » Domingo Jan 17, 2010 10:19 pm

Os modos da escala maior
Parte 1: Tocar em posições
Conteúdos:
    • O que são os modos
    • Acordes Normativos
    • Noções sobre junção de terceiras
    • As regras de tocar em posições
    • Os 7 padrões em Dó maior
    * Padrões de 2 oitavas
    *Digitações
    • Modos da Escala maior usando a derivação:
    *Jónico
    *Dórico
    *Frígio
    *Lídio
    *Mixolídeo
    *Eólio
    *Lócrio
    • A relatividade musical
    • Estabelecer um centro Tonal:
    *Ponto focal, Pedal tones
    • Exercícios
    • Condensação:
    *Exemplos de derivação
    *Tabela de todas as escalas maiores e seus modos
---------

O que são os modos?
Modos não são mais do que tendências harmónicas e melódicas numa determinada escala. Uma escala terá por isso tantos modos quanto notas diferentes. Os modos não são apenas uma qualidade da escala maior pelo que todas as escalas têm os seus modos. Os chamados modos gregos, com os seus nomes são derivados da escala maior diatónica.
Para esta formação falaremos dos Modos provenientes da escala maior diatónica.
Introdução
Tomando como exemplo a escala de Dó maior,
Imagem
Teremos as notas C, D, E, F, G, A, B; ou seja dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.
7 Notas… 7 modos! 7 Tendências diferentes, umas maiores outras menores, uma diminuta, uns mais brilhantes e contentes outros mais fechados e sombrios, uns com mais tensão outros com menos.
Ou seja, o primeiro modo de uma escala é a própria escala sendo que ésta escala que é apresentada é o 1º modo (tendência) da escala de C maior, tendo o nome de Modo Jónico.

Para obter os outros modos nessa escala basta respeitar as notas definidas pela escala mãe.

A escala mãe tem a seguinte fórmula em temos de intervalos:
2 2 1 2 2 2 1


Explicando:
Do C para o D vão 2 meios-tons (= tom inteiro)
Do D para o E vão 2 meios-tons
Do E para o F vai 1 meio-tom (meio tom)
Do F para o G vão 2 meios-tons
Do G para o A vão 2 meios-tons
Do A para o B vão 2 meios-tons, e
Do B para o C vai 1 meio-tom

Desta forma:
Imagem

Legenda:
1- Notas CDEFGAB; 2212221; Jónico
2- Notas DEFGABC; 2122212; Dórico
3- Notas EFGABCD; 1222122; Frígio
4- Notas FGABCDE; 2221221; Lídio
5- Notas GABCDEF; 2212212; Mixolídio
6- Notas ABCDEFG; 2122122; Eólio
7- Notas BCDEFGA; 1221222; Lócrio

A saber:

• Existem Modos Derivados e modos Paralelos, neste caso anterior viram os modos Derivados em C maior.
Paralelamente seria aplicar as fórmulas de cada modo a partir de uma nota. Ex: C

• Não confundir modos com posições! Modos são tendências e não posições… Existem posições onde se podem executar os modos como escala mas um modo pode ser usado em qualquer parte da escala, inclusive um modo pode ser usado a partir de uma nota numa posição de outro modo… Iremos estudar as posições mas convêm manter presente que modos não são padrões/desenhos na escala.

Mas vamos por partes! Já vimos o conceito geral agora vamos começar a ver mais em pormenor.

Tocar em posições
Começaremos exactamente pelas posições onde se podem executar os modos. Tocar os modos nestas posições é bom para treinar as mãos em exercícios de escalas, para treinar o ouvido relativamente às tendências Modais e conhecer o braço verticalmente.
Para essas posições existem 2 abordagens: A Clássica e a Actual.
Mas vamos ao inicio das coisas!

Posições Clássicas, algumas regras para as seguir:
• Cada posição compreende 6 trastes e 6 cordas num total de 36 notas possíveis. Todavia mantêm-se a regra antiga “Um dedo por traste” que já terá ouvido.
• O Segundo e 3º dedo são fixos e cobrem um traste cada.
• O 1º e 4º dedo fazem extensões para os trastes imediatamente antes (no caso do dedo 1) e imediatamente a seguir (no caso do 4º dedo) cobrindo assim 2 trastes cada.
Posições actuais: Algumas regras a seguir:
• Usa-se um princípio baseado em notas por corda e eficácia de digitações
• Normalmente usa-se 3 notas por corda, podendo utilizar-se 4 notas por corda.
• Estende-se os dedos para chegar às notas fazendo pontes entre posições Clássicas.

Sete padrões para os modos de C maior
Existem 7 padrões para a escala de C maior a partir de notas Raiz na 6ª corda. Estes padrões são designados normalmente por modos, todavia neste momento já pode ver que esse conceito é limitativo e parcialmente errado. No entanto é a maneira mais acessível para se iniciar a compreensão dos modos para guitarristas.
Nesta fase já sabe que também existem padrões com raiz na 5ª corda, na 4ª corda e em todas. Mais à frente irá reparar que todos os outros padrões com raízes noutras cordas que não a 6ª podem ser enquadrados nestes “desenhos” de padrões que vamos ver seguidamente.
Interessa neste momento explorar toda a escala da guitarra com estes padrões Modais. Estes padrões repetem-se depois do 12 traste, ou seja, todos os padrões que existem antes do 12º traste acontecem depois do 12º traste…Naturalmente. Existem no entanto padrões onde o 12º traste se encontra no meio do padrão.
Como saber os padrões?
• A primeira coisa a fazer é analisar a posição das diferentes notas na escala.
• Responde-se há questão “Quantas notas por corda quero fazer?”
• Seguidamente “desenha-se” o padrão utilizando as notas disponíveis da escala numa determinada área da escala para a digitação escolhida.
Imagem
Exemplo para o padrão G mixolídio, 3 notas por corda, a partir da 6ª corda:
Imagem
Em Partitura e Tab será assim:
Imagem

Desta forma, saberá delinear os seus próprios padrões para praticar.


Existe muitas tabelas que pode seguir, inclusive poderiam estar nesta aula. Todavia será melhor para si se souber como fazer os seus padrões para os Modos, pois não há só Modos para a escala Maior diatónica e esse conhecimento de como fazer será uma mais-valia no futuro.

Tarefa nº1

• Faça os 7 padrões com a ajuda da imagem da escala da guitarra que está acima.
• Tenha atenção para não saltar nenhuma nota da escala nem repetir
• Escreva Padrões em Partitura ou Tab
• Execute os Padrões até os ter memorizado
• Quando memorizado, treine com metrónomo.
• Compare os seus padrões com os seguintes padrões
• Identifique os padrões seguintes relativamente ao seu nome

Imagem
Imagem
Se estiver com dificuldade em acompanhar e entender, tudo será explicado com mais detalhe. Depois de ler toda a aula, releia e faça as tarefas! Vai ver que compreenderá tudo em pouco tempo!

Muitas vezes este assunto dos modos causa confusão a muitos guitarristas que têm dificuldade em assimilar a verdadeira essência dos modos. Tenho reparado que, mesmo para guitarristas que já tiveram aulas anteriormente, só entendem realmente os modos depois de terem acesso à informação explicada desta forma.
1. Todos os padrões são meras digitações para as notas naturais usando as regras do Posicionamento ou de digitação.
2. Todos estes padrões são a escala diatónica de C, nada mais que isso.
3. Todos estes padrões podem ser qualquer modo, desde que seja respeitada a tendência Modal. O padrão chamado Frígio pode ser um Lídio se for tocado com a intenção de Lídio, o mesmo para qualquer Padrão em qualquer parte da escala. Mais tarde irá entender que o que vai dar a tendência modal são as notas de resolução e tensão. Também verá a importância da tríade, tétrade (quatriades), 9as, 11ª , 13ª e as inversões para este efeito.
4. Os padrões têm a sua raiz numa das notas da escala mãe. Essas notas são aplicadas e estendidas numa corda, neste caso a 6ª Corda. Apenas por essa razão é que descrevem uma Posição.
5. A função destes padrões é Pedagógica e Prática. Assim aprende a escala da guitarra verticalmente e horizontalmente, aprende a tendência do modo, se é maior, menor, diminuto, brilhante, escuro, ambíguo, etc. Aprende e treina a mão direita e esquerda para digitações e situações de palhetagem que vão ser úteis para compor e improvisar.

Como disse anteriormente existem duas abordagens para a aprendizagem destes padrões modais e pensar nestes padrões modais: A forma derivada e a forma paralela. Nesta formação irei abordar a forma derivada ficando o assunto da forma paralela para outra formação posterior.
Torna-se fácil de entender: Digamos apenas que dentro de uma escala maior existem outras 6 escalas escondidas! Esses são os outros 6 modos… derivam dessa escala que é o modo nº1 (com o nome Jónico). Entender isto é fundamental!

• Se iniciar uma escala de C maior no seu Segundo grau até ao segundo grau da 2ª oitava estará a executar Dórico
Imagem

As notas são DEFGABCD e a fórmula é 2122212 que é a fórmula de Dórico.
Isto quer dizer que, ao estabelecer-se que o centro tonal é D pela imposição da raiz D, todas as outras notas serão ouvidas relativamente a esse centro tonal ou seja, as funções dessas notas relativamente ao D, são diferentes das funções que têm na escala diatónica de C maior.
As funções das notas CDEFGABC em C maior (jónico) são 1,2,3,4,5,6,7,8 e em D Dórico passam a ser b7,1,2,b3,4,5,6,b7: Resumindo: As funções mudam! Dórico relativamente às suas funções é 1,2,b3,4,5,6,b7,8
E o mesmo se passa para os outros modos derivados:
Imagem

Todos estes modos tem as mesmas notas da escala mãe mas essas notas têm funções diferentes relativamente ao centro tonal que seja estabelecido.
Tarefa nº2
Faça uma tabela das funções dos modos diatónicos!
Ex: Dórico 1,2,b3,4,5,6,b7
Nota: As tarefas têm o objectivo de faze-lo descobrir por si próprio o funcionamento da matéria dada. Caso tenha dúvidas em resolver esta questão pergunte aqui no fórum.



Tarefa nº3
Explore o centro tonal

1. Toque um acorde Normativo(1) durante muito tempo e depois explore a escala.
(1) Mais à frente nesta formação irei abordar de forma ligeira os acordes Normativos
2. Toque acordes com a bass note constante (pedal tone)
Ex: Cmaj7(9)/G | F/G | G7
3. Toque notas constantes, drone notes, bastante usado em música Indiana.
Ex: Toque o Mi bordão (6ª corda) e desenvolva frígio, 5ª corda para explorar Eólio…etc.
Nota: Assimile, desenvolva, adapte e crie as suas próprias abordagens!
4. Reforce o centro tonal através do fraseado, usando dinâmicas notas de tensão, harpejos das tríades, tétrades e outras terceiras acopladas. (Mais sobre este conceito para guitarristas avançados em futuras instruções)
5. Grave uma backing track a tocar C maior por uns minutos, outra tocando Dm. Explore o mesmo padrão para as duas Vamps (backing track) e entenda o modo.
Compreenda que tudo depende da Progressão Harmónica.
Todas estas experiências são importantes para que desenvolva o seu ouvido tonal e mais importante, para entender como improvisar e compor.
• Depois de fazer as tarefas propostas, já terá a bagagem para o resto desta instrução visto que terá entendido perfeitamente o que é um modo, quais são as diferenças entre os modos, como soam e como tudo isto funciona. Nesta fase já deve ter compreendido que não se tratam de meras posições e desenhos.
Se ainda não compreendeu, faça um favor a si próprio, não prossiga na lição sem reler tudo e fazer as tarefas propostas. Deixe os conceitos a marinar na sua mente por uns dias e faça as experiências propostas.

• Iniciando a escala de C maior no seu 3º grau obterá uma escala de sonoridade menor chamada de Modo E Frígio.
• Iniciando a escala de C maior no seu 4º grau obterá uma escala de sonoridade maior chamada de Modo F Lídio.
• Iniciando a escala de C maior no seu 5º grau obterá uma escala de sonoridade maior chamada de Modo G Mixolídio.
• Iniciando a escala de C maior no seu 6º grau obterá uma escala de sonoridade menor chamada de Modo A Eólio, também chamado de Escala Menor relativa, ou Escala menor natural.
• Iniciando a escala de C maior no seu 7º grau obterá uma escala de sonoridade meio-diminuta chamada de Modo B Lócrio
Pedro Duarte
Já soa a qualquer coisa
 
Mensagens: 102
Registado: Domingo Nov 22, 2009 2:28 pm

Re: Modos da escala maior: Parte1

Mensagempor Pedro Duarte » Segunda Fev 01, 2010 12:59 am

Acordes Normativos


Cada modo tem uma tríade associada. Neste momento ficaremos pelas tríades para facilitar a compreensão apesar de haver mais matéria tais como as Tétrades e extensões.

As tríades são constituídas por terceiras emparelhadas e cada tríade tem a sua Raiz na nota de centro tonal de cada um dos 7 modos.
Cada tríade tem 3 componentes funcionais, daí o seu nome de tríade. Essas componentes são uma Tónica, uma Terceira e uma Quinta.
• A tónica é o centro tonal
• A Terceira pode ser maior ou menor e define exactamente essa condição na tríade.
• A quinta pode ser Perfeita ou Diminuta nessa tríade, dando essa qualidade à tríade.
As tríades numa tonalidade são chamadas de Acordes Normativos ou Normais. Cada Acorde Normativo tem a sua função relativa à tonalidade, essas funções são demonstradas através de um número Romano Maiúsculo ou minúsculo dependendo se são maiores ou menores. Outras simbologias são adicionadas a esses números romanos, caso do diminuto em que se acrescenta um º ao número romano respectivo.
Ex:
IV (4º acorde normativo maior)
iii (3º acorde normativo menor)
viiº (7º acorde normativo diminuto)

Observa o seguinte:
• C Jónico é o acorde nº1, tríade de C maior; I
• D Dórico é o acorde nº2, tríade de D menor; ii
• E Frígio é o acorde nº3, tríade de E menor; iii
• F Lídio é o 4º acorde, tríade de F maior; IV
• G Mixolídio é o 5º acorde, tríade de G maior; V
• A Eólio é o 6º acorde, tríade de A menor; vi
• B Lócrio é o 7º acorde, tríade de B diminuto, viiº

Ou seja a fórmula da Harmonia modal maior é:
I, ii, iii, IV, V, vi, viiº

Atenção: O 7º grau, (vii) quando estamos a falar de tríades pode ser dito "Diminuto" pois tem a sua 5ª diminuta i.e. (b5), mas quando entramos na Tétrades (conhecidos como Quatriades ou "Acordes de 7ª") já não se lhe pode chamar "Diminuto" pois a orientação Modal "LÓCRIO" impõe a 7ª Menor (b7) e não a 7ª dimínuta que faria com que essas Tétrade fosse um acorde diminuto. Muitas vezes prefere-se escrever "vii b5" para afastar qualquer confusão.


Continuando,vejamos as tríades de que estamos a falar e os acordes (formas simples) de que estamos a falar:


Código: Seleccionar Todos
       C            Dm        Em          F               G          Am           Bmb5
        I            ii        iii        IV              V         vi            viib5
     Jónico       Dórico    Frígio       Lídio        Mixolídio    Eólio        Lócrio   



ImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagem

Tarefa nº4

Grave 2 minutos consigo a tocar um ritmo usando cada um destes acordes. Junte uma linha de baixo se tiver um baixo, ritmo se tiver uma caixa de ritmos ou software para isso.

Improvise usando os modos aprendidos, experimente as diversas posições, explore a escala. Use as tríades! Divirta-se e aprenda!

Grave esses improvisos e analise posteriormente.

Tarefa nº5

Depois de explorar os modos e as posições com a Raiz em todas as cordas, na Tonalidade de C maior durante uns tempos (depende da quantidade de horas que disponibilizar para esse efeito)…

…transponha tudo o que aprendeu para a tonalidade D…

Agora a sua tonalidade vai ter dois sustenidos, um em C e outro em F

Neste momento estará possivelmente com uma dúvida que é a confusão normal entre Tonalidade e Centro Tonal.

A tonalidade é definida pela escala mãe e é representado pelos acidentes existentes:

Para Tonalidade C maior = 0 acidentes

Para Tonalidade D maior = 2 acidentes (dois #)

Centro tonal é a tendência da Harmonia! Ou seja em Dm como vimos, estávamos com o Centro tonal em Dm mas a tonalidade estava no Campo Harmónico de Dó Maior ou seja C maior. Tudo claro agora!?

Tarefa nº6

Use a tabela abaixo para transpor este conhecimento adquirido para todas as Tonalidades na ordem dos sustenidos e na ordem dos bemóis.
Imagem
Pedro Duarte
Já soa a qualquer coisa
 
Mensagens: 102
Registado: Domingo Nov 22, 2009 2:28 pm


Voltar para Guitarra

Quem está ligado:

Utilizadores a ver este Fórum: Nenhum utilizador registado e 5 visitantes

cron